Minha vida se desfez. Eu não consegui acreditar que eu havia perdido a confiaça da pessoa mais importante da minha vida justamente por não saber usar as palavras certas. Concordo com os que dizer que os poetas são bons só na teoria, por que na prática nada é o que parece.
Eu e ela tinhamos uma amizade mais que especial, baseada em confiaça. Ela sabia mais da minha vida do que eu mesmo e vice versa, eu a considero como minha irmã. Em um dia perfeito, após a gente ter se divertido muito, eu olhei para ela, mesmo que apenas por alguns minutos, e a vi com outros olhos, eu a vi como uma menina, não como minha irmã. Então, a partir daqueles poucos minutos, minha vida passou a a ser conturbada pela culpa. Eu me auto-torturava com aquele peso na consiência. Não havia como desabafar aquilo para ninguém, pois aquilo me fazia sentir nojo de mim mesmo. Como eu poderia ter pensado aquilo da minha própria irmã, coisa que jamais aconteceu antes? Apenas as dúvidas me restaram.
Chegou ao ponto em que eu já não estava mais aguentando. Já não estava mais conseguindo dormir mais. Pedi conselho para um grande amigo meu. Ele me disse que o melhor a fazer era contar para ela o que javia acontecido, já que ela confiava em mim e eu nela. Eu neguei, disse que jamais poderia fazer isso, pois contar algo assim poderia fazer ela pensar mal ao meu respeito, já que eu nunca tive segundas intenções com ela.
Logo eu estava em um dilema. Contar ou não contar. Se antes eu dormia pouco me culpando, agora eu já não conseguia mais dormir. As noites em claro alteravam meu humor interno, pois aparentemente, por fora, eu estava bem.
Dia 23 de Setembro de 2011. Este foi o dia que minha vida começou a se desmoronar. Após uma dor de cabeça torturante, eu começei a delirar a noite e não conseguir dormir novamente. Já no dia seguinte era festa do aniversário de sua bisavó, que eu fui cordealmente convidado. Chegando lá eu percebi que haveria muito álcool, e isso me fez chegar a conclusão de que eu teria que me embreagar pra ter coragem de contar o bendito fato. Após horas bebendo, eu não conseguia ficar tonto e muito menos tomar coragem. Eu chegei a desistir de tentar. Quando fomos embora, ela disse que talvez sairiamos ainda. Continuei com aquela coisa reprimida dentro de mim. Então saimos junto a outros amigos, e, pra variar, continuei bebendo. Chegou a um ponto em que eu consegui sentir a tal "coragem" que eu tanto esperava. Logo em seguida ficamos sozinhos. Aquela era a chance pra eu contar, então assim eu fiz. Começei a falar, mas em momento algum eu consegui olhar em seus olhos, pois seria pesado demais para mim. Eu começei a embaralhar as palavras, eu estava tonto, e eu acabei estragando tudo. Ela entendeu tudo errado, ela achou q eu estava chegando nela, e completou dizendo que a confiança da nossa relação havia sido destruida. Em seguida foi embora. Eu segurei, segurei, mas não aguentei, chorei. Chorei muito.
Em um momento de lucidez eu voltei para a casa de sua avó (onde eu estava hospedado) e me olhei no espelho. Eu queria ligar para ela mas não naquele estado. Então eu provoquei vômito, tirei todo aquele álcool de dentro de mim, esperei alguns minutos, e liguei para ela, tentando me explicar, mas não foi o suficiente, pois mesmo ela dizendo que estava tudo bem, eu sabia que não estava.
No dia seguinte, após ter perdido uma noite de sono e sendo arrebentado pela culpa do arrependimento, a ressaca moral desabava-se sobre mim. Toda e qualquer tentativa de comunicação comigo era apenas uma tentiva. Poucas palavras sairam de minha boca, pois o arrependimento tomou conta de mim, e, além de tudo, olhar para ela e perceber uma certa frieza em conversar comigo, acabou comigo.
Após eu voltar para minha casa, dois dias após o ocorrido, eu tive contato com ela. Foi ai, são, que eu consegui me explicar detalhadamente. Na hora foi um alívio ver que ela havia me entendido. Eu realmente fiquei feliz. E finalmente eu consegui dormir bem, após semanas.
Quatro dias depois, e um sem contato com o outro. O aperto no coração volta com tudo, pois a sensação de que nada foi resolvido toma conta de mim. História da minha vida.
Denner Parreiras Aleixo
